sábado, 8 de janeiro de 2011

Mais uma história de amor

Essa é uma historia de amor que aconteceu na vida real. Parece coisa de livro, de filme, mas é verdadeira. Tive a honra de acompanha-la de perto.... Resolvi, então, eternizá-la em palavras, como se já não fosse eterna em meu coração... Com muito carinho dedico essas linhas a uma amiga especial. Quis Deus que nos aproximassemos ainda mais depois de tudo isso... Alê, te amo. Fagner, tenho certeza de que você está em paz....



Ela queria estar feliz. Até se esforçava para convencer-se disso, mas, no íntimo, sabia que não estava.

Alternava com uma estranha habilidade entre sorrisos e lágrimas. Sentia-se insegura, confusa. Mas não queria que o fim de um relacionamento de quase dois anos se perdesse na distância que hoje, finalmente, separavam-nos com o sabor amargo do fim.

De volta a sua terra natal, longe do lugar onde se permitiu ultrapassar os limites e conquistar a liberdade, tudo parecia sem cor. Deixou em Anappolis um alguém de quem esperou o que não se espera. Mas tinha milhares de motivos na ponta da língua para explicar porque ele o deixara voltar... Voltou para sua vidinha pacata no Brasil, deixando para trás o alguém em quem depositou todo o colorido de seus dias, como quem deposita suas mais preciosas economias num banco à beira da falência...

Ele queria estar feliz. Até se esforçava para convencer-se disso, mas, no íntimo, sabia que não estava. Queria fazer tudo ao mesmo tempo, de todo modo se ocupava. Depois de alguns anos de suor e dificuldades, finalmente estava numa fase mais tranqüila de sua vida, colhendo os frutos do seu esforço. Fazia seu trabalho com orgulho, amava sua família com dedicação. Mas no fundo procurava um alguém que lhe completasse a alegria incompleta. Curando-se das feridas que restaram dos amores fracassados que deixou para trás, aventurava-se entre muitos abraços em busca daquela que verdadeiramente o completasse.


Quando pela primeira vez ouviram um sobre o outro, não tinham a menor idéia de que já se conheciam, de longa data. Tantas foram as coincidências que precederam o primeiro reencontro... somente no fim perceberiam que esta história já estava escrita, como um roteiro de um filme de amor.

Ela era a menina magricela e inteligente que ele conhecera na infância. Seu amor de escola, a quem admirava. Puxou tantas vezes os seus cabelos na tentativa de chamar-lhe a atenção. Entusiasmado, fazia com ela todos os dias o caminho de volta para casa. Guardou entre as suas lembranças de infância o sorriso da menina por quem foi apaixonado. E não pode conter-se de tanta ansiedade em revê-la. O destino, não casualmente, decidiu trazê-la de volta e mesmo antes de reencontrá-la parecia novamente sentir o amor inocente que estremecia as pernas do menino franzino de outrora.

Ele era o coleguinha de classe. Lembrou-se não pela foto, mas pelo nome estranho. Um apelido de infância. “Desconfio que ele gostava de mim quando éramos crianças”. Mas hoje ele era tão jovem, tão menino, tão normal comparando-se ao homem adulto e vivido que deixara em Anappolis... No fundo, ate queria que ele fosse a pessoa que lhe faria esquecer aquela paixão, mas não acreditava.

No primeiro encontro entre amigos, ela estava longe demais. Cabaça distante. Olhos perdidos em pensamentos.

Ele? Ele tinha os olhos perdidos nela. Queria agradá-la, fazê-la sorrir. “Os homens americanos são tão mais atenciosos com as mulheres” , pensava ela. Mas embora relutante, sentindo-se culpada por estar sentada ao lado de outro homem que não aquele por quem se dedicou durante os últimos anos, envolvia-se desapercebidamente nos encantos do coleguinha de infância, hoje o homem que verdadeiramente a desejava em sua vida, diferente daquele por quem chorava.

Ele não podia esperar mais um encontro casual. Queria estar ao lado dela de novo. E, embora não soubesse ainda, ela também queria a sua companhia. Queria sentir o aconchego que seus olhos lhe passavam.

Do segundo dia ate o ultimo parecia que sempre foram íntimos, que nunca estiveram separados, que finalmente haviam encontrado o que procuravam. Como um furacão que começa com uma suave ventania, a intimidade e o sentimento cresceram em progressão geométrica. Quem era mesmo o alguém que deixara em Anappolis??? Por que eu chorava mesmo ate ontem??? Do que eu tinha medo??? Ela se já se perguntava isso depois do primeiro beijo. E em três dias apenas já eram namorados, estavam enamorados, faziam planos.

Para ele já eram um casal desde o primeiro dia juntos. Desde antes de revê-la, talvez.

Para ela tudo parecia tão rápido, não sabia explicar porque se sentia particularmente feliz. Não sabia explicar porque se deixara cair em seus braços, por que foi tão facilmente vencida pela razão. Já era tão sua, como se sempre o fosse.

Estavam felizes. Queriam mais beijos, mais abraços, mais colo um do outro. Queriam fazer tudo num só dia. Quisera o tempo pudesse parar....

Mas as histórias de amor não são tão simples. Se o fossem, não seriam histórias de amor.

No quinto dia juntos, já namorados, grudados, cheios de mimos e apelidos, de volta de um encontro, de uma noite em que tanto conversaram e se conheceram, ela dormiu sorrindo, sabendo que tinha feito a escolha certa. Era ele quem queria para sua vida. Em apenas cinco dias, já sabia disso. Antes, em dois anos, não sabia de nada...

Ele também sabia disso. Sabia que era ela. Estava se sentindo feliz, como há muito não se sentia. Dormiu feliz. Dormiu... para sempre. Perdeu o controle de sua moto. A mesma moto assunto de muitas das conversas que tiveram. A moto que causou briga entre ela e os pais. “É muito perigoso”. “Não ande assim tão rápido”. “Vê se toma cuidado, vc já caiu antes.”, ela parecia que já sabia. Silenciou-se diante dos seus pressentimentos...

Naquela madrugada, ela tentava dormir querendo que tudo fosse um pesadelo, apenas. O sol entrava pela sua janela de manhã, mas não conseguia aquecer seu coração vazio.

Ele se fora sem dizer adeus. Deixou seu sorriso, seu calor. Suas boas lembranças.

Um sonho bom, na verdade. Ele a amara quando criança. Queria ser, finalmente, seu par. Precisava reencontrá-la antes de ir embora. Estava dizendo adeus e não sabia.

Ela ficou entre lágrimas.

Um dia conseguirá entender que a beleza das historias de amor não esta no final feliz, mas no que deixam no coração quando por ele passam.

E muita coisa ficou. Sua vida nunca mais será a mesma.

Ela segue seu caminho inacabado.

Ele completou o dele.

2 comentários:

  1. Nunca a frase "Tudo que é bom dura o tempo sufuciente para se tornar INESQUECIVEL!" fez tanto sentido.

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